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Valei-me Zumbi! Livrai-nos, e proteja-nos nas nossas Quilombagens!

zumbi

E assim início minha reflexão sobre mais um ano de comemoração e homenagem a imortalidade do nosso herói nacional Zumbi dos Palmares, chamando-o, pedindo sua presença, reivindicando sua força, sua estratégia. E junto com ele, toda uma legião de mulheres e homens instrumentos de guerra, nas batalhas pela liberdade e pela vida do tão sofrido futuro povo brasileiro. *Mônica Custódio

Valeu, Zumbi! O grito forte dos Palmares que correu terras, céus e mares influenciando a consciência coletiva de uma população que hoje, e sobretudo hoje, honra e mantém vivo todo um projeto emancipatório em seu nome, e em nome daquelas que juntos e em tempo, e em tempos… fizeram o bom combate.

A Anastácia que não se deixou escravizar, insiste e vive em tantas de nós. Aqui lembrada na imagem de uma guerreira que representa uma figura deslumbrantemente humana: Marielle Franco. Essa que com a vida pagou pela nossa coragem de existir e resistir, dizendo que: Nossos Passos Vem de Longe, Que Eu Sou Por Que Nós Somos. E assim, Marielle renasce todos os dias pela garra e resistência das Mulheres Negras, nos seus 30 anos de rearticulação. Vida Longa as Mulheres Negras.

Não sabemos até quando poderemos ver o Sacerdote erguer a taça, pois nos encontramos em um estado teocrático, caminhando a passos largos para fundamentalismo religioso. Onde a prática de racismo religioso tem sido uma constante, a exemplo da Lei Gaúcha 12.131/2004, deixando a nitidez de seu caráter racista e de violência contra irmãos de Matriz Africana, uma condição exercida cotidianamente em nome de Deus. Pois, como cantava o saudoso Almir Guineto, tudo que se faz na terra se coloca Deus no meio: Deus já deve estar de saco cheio.

O momento histórico em que vive nosso país, de avanço do centro-direita e do fascismo, na sequência dos retrocessos, dos direitos individuais e coletivos, sociais e trabalhistas, merecem nossa reflexão, não para nos apontarmos e nem para remexermos em culpas, e em dificuldades que nos permearam historicamente, mas de entendimento daquilo que temos como projeto, e que ainda precisamos, com toda diversidade e antagonismo continuarmos com bandeira em punho. Isso significa uma maior atenção as pautas de diversidade que não pode ter o signo de identitariedade/multiculturalismo, como um instrumento social negativo, mas sim como luta de classes, de uma busca incessante daquilo é essencial/fundamental: o direito de SER humano, o direito à dignidade, o direito à igualdade de oportunidade e condição.

Desta forma a conjuntura atual não permite ao nosso povo viver uma Kizomba. Não temos Kizomba, não temos Constituição, essa última tem sido rasgada a todo tempo nos últimos períodos. E no ano em que deveríamos comemorar uma vitória importante, um marco civilizatório, temos em vista o desmonte do Estado, das estruturas de conhecimento e de defesa da cidadania e dos direitos humanos. E no ano em que se completa os 130 anos da Abolição inconclusa, tudo o que mais precisamos, digna Clementina, é de um partido popular.

Que a magia dos orixás, a força da nossa cultura, a nossa arte, bravura e o bom jogo de cintura fará valer nossos ideais. Nossa sede ainda é a nossa sede de que o apartheid se destrua, e com ele todo ódio sistêmico e letal que historicamente se constitui contra a população.

Valeu Zumbi, que a Lua de Luanda seja farol nos nossos caminhos!

*Secretária da Igualdade Racial da CTB e diretora do Sindimeta-Rio

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Sindimetal-Rio

Sindicato classista e de luta

Fundado em 1º de maio de 1917.

O Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, fundado em 1º de maio de 1917, continua sendo o principal instrumento de luta e de atuação da categoria. Tem uma rica história em prol do Brasil, da democracia e em defesa dos trabalhadores.

O Sindicato, consciente do seu papel, segue firme, buscando sempre a valorização do trabalhador e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, a sociedade socialista.

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